
Não sei quantas são nem de onde vieram, ouvem-se ao longe como cânticos surdos de um mosteiro longinquo, espalham-se entoando palavras de ternura ou de afecto ou de desespero ou de paixão... ou de ... ou de ...
Não sei quantas são, mas existem no caminho de uma vida que percorre o tempo, esse mistério de 24 sobre 24 horas, trasnformado em minutos e em segundos, porque mais pequeno que isso já é "nano" e ninguém o percebe ou nele se consegue meter...
Percorro-as uma a uma como uma mancha de óleo que no mar se espalha, sem dó nem piedade, mas não as entendo como se de idiomas estranhos se tratassem...
Analiso-as, como António Gedeão o fez às lágrimas da preta que encontrou a chorar, mas ainda não as entendi... ou não as quis entender!
São como os nós na garganta que "ardem sem se verem" já dizia o poeta...
Amargas ou doces, talvez agridoces... são comuns a quem gosta de reflectir, na esperança de encontrar um outro caminho, não de salvação, mas de desafio, na encruzilhada que é estar vivo, relacionar-se com outros e dar, dar muito sem esperar nada de volta.
Distribuo-as por quem mais amo, mesmo que não saiba que as está a receber, no silêncio de um olhar ou no encanto de um sorriso ... e vejo-as ser retribuidas, devolvidas com outro tanto e me fazem encher de novo de paz tranquila mas inquieta de bem querer ou de mais querer...
Doi quando nos falham, mas não sabemos viver sem elas e são essas mesmas as que nos distinguem de todos os outros seres do Universo.